23 fevereiro 2016

Sentido da vida

Acordo todos os dias no mesmo horário. Luto comigo mesma para arrastar meu corpo para fora da cama. Uma vez de pé, só consigo pensar em pontos negativos. O café sempre está muito doce. Não vejo graça. As opções para comer, sempre muito iguais às de sempre.
A roupa que eu escolhi sempre parece mais feia no espelho do elevador do que no espelho do meu quarto. A maquiagem que eu fiz sempre aparece borrada no retrovisor do carro. Os meus poros então, gritam por socorro.
Quando os poros gritam me lembro que lá se foi mais uma semana e eu não marquei novamente com a esteticista. Mas também, a sessão dela é tão cara e eu estou sempre tão sem dinheiro.
Chego em um ambiente que também não tem muito ânimo. Ouço pessoas transmitirem conhecimentos nos quais, às vezes, elas próprias não acreditam. Ao meu redor, alguns estão apenas tendo um pouco de diversão (diversão ao custo de mil reais por mês e de acordar cedo todo santo dia), alguns estão tentando melhorar na vida, alguns ainda não sabem porque estão ali.
Quando vejo os que querem melhorar na vida me pergunto: pra quê? No fim das contas, vamos todos morrer: atropelados, em um acidente triste de carro, dormindo tranquilamente, infartando em nossos escritórios, assassinados, cada um ao seu modo.
É tanto esforço, tanta energia, para nada. No fim das contas, estamos todos apenas poluindo ar, água e terra. As três coisas mais puras deste mundo.
Depois de quatro longas sessões de 50 minutos, lá estou novamente me encarando no espelhinho que o carro me proporciona. Um caminho que dura 10, às vezes 15, e em algumas vezes até mesmo 20 minutos, regado a alguma música cantável. Pois a música é uma das poucas coisas que ainda embalam a minha alma.
Chegando, cumprimento as pessoas simples que sempre são as primeiras a encontrar, mas as mais verdadeiras do dia. Deve ser uma forma de ser compensada pela vida por ter que, em seguida, encarar algumas pessoas incansavelmente intragáveis. Sei que a maioria das pessoas não é assim, mas determinadas pessoas dão ânsia de vômito com um simples olhar.
As outras pessoas, em geral boas ou neutras, estão ocupadas demais em viver um sentido que é só delas. Então, me sinto excluída. De repente, todos têm um sentido, menos eu.

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