25 fevereiro 2008

estática

É incrível como as vezes as coisas simplesmente não fazem sentido.
Nada faz sentido.
Parece que eu parei no tempo, segurei todas as minhas obrigações ali, e por mais que a vida passe, eu ainda estou parada.
Estática.
Sem movimento algum.
Parada.

Saudade, saudade...



Sapatilha de ponta, meia calça, saia rodada e colant preto. Demi-plié, salto, demi-plié, salto. Pirueta. Demi-plié, salto, demi-plié, salto. Attitude. Demi-plié, salto, demi-plié, sissone. Ela dança, ela salta. Ela tem a leveza de uma pena. Ela vai para lá e para cá sem problemas. Na ponta dos pés. Ela faz de tudo. Tudo faz dela o que ela é. Ela é bailarina. Corpo esguio, corpo de dança. Corpo que gira, corpo que salta. Corpo que é corpo. Corpo de equilíbrio. Ela é bailarina.


Eu fiquei encarregada de buscar minha irmã na aula de Ballet hoje. Cheguei na Academia e assisti alguns minutos da aula dela. É incrível a flexibilidade que ela tem. Ela dança pra valer. Me bateu uma saudade. Saudade de quando eu tinha (também) meus 8 anos e também dançava. Quando eu tinha tanta flexibilidade quanto ela. Perdi tudo. Eu achava um pé no saco ter que carregar sapatilhas, colant, saia, meia-calça. Achava tudo uma grande chatice. Mas hoje eu vejo que a coisa mais linda que uma garota pode fazer é ser bailarina. Atribui ao corpo tantas coisas boas. Postura, delicadeza, leveza, além de malhar o corpo. É tão bonito. Eu queria poder voltar no tempo. Ainda sou nova, mas já é tarde para recomeçar. Já perdi a oportunidade de continuar uma possível vida de bailarina, vida de menininha. Toda forma de arte é indispensável ao ser humano. Toda forma de arte é uma coisa maravilhosa para a pessoa. Toda forma de arte atribui qualidades de grande valor. Que saudade, que saudade. Tão cedo e eu já me arrependo de muita coisa. Até dos gritos da professora eu tenho saudade (embora me lembre pouco da minha época de ballet). Que saudade!

01 fevereiro 2008

Sabe como a gente se conheceria...

... se fosse uma comédia romântica?


Seria primeiro dia de aula e a gente estudaria junto, claro. E no mesmo corredor, óbvio. Aí eu passaria, toda fofinha, de vestidinho florido em rosa, tomara que caia e cheio de lacinhos, e preocupada com a escola, claro. Você passaria, todo gato, rodeado de meninas, esbarraria em mim, meus milhares de livros cairiam e nesse momento começa a câmera lenta: a gente se abaixa, vai, devagarzinho, pegando livro por livro, papel por papel, olhar fixo (estilo olho no olho), boca semi-aberta pra demonstrar aquele desejo e aí a câmera volta ao normal, eu fico sem-graça, você fica apaixonado. Me dá meus livros, me pede milhares de desculpas e me pergunta em que sala eu estou e se pode me recompensar sob forma de diversão no almoço. Almoçamos juntos, viramos amigos, namorados, casamos e temos vários filhinhos.


Mas foi tudo mais simples. Você chegou, disse oi, pegou meu telefone, me ligou e a gente saiu.