06 novembro 2018

Crônica do Amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?
Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.

Martha Medeiros

05 novembro 2018

Enquanto isso, nos bastidores do Universo

Você planeja passar um tempo em outro país trabalhando e estudando, mas o universo está preparando a chegada de um amor daqueles de tirar o chão, que fará você jogar fora seu atlas e criar raízes no quintal como se fosse uma figueira.
Você está muito satisfeita com a vida que tem e, se acabar seus dias desse mesmo jeito, ficará mais do que agradecida, porém publicará no Facebook uma foto incrível que tirou de um menino de rua e essa postagem despretensiosa vai lhe abrir as portas para uma nova carreira que você nem suspeitava ser possível iniciar.
Você treina para a maratona mais desafiadora da sua vida, mas não chegará com as duas pernas intactas na hora da largada, e a primeira surpresa será essa: o inferno da frustração. A segunda: durante a passagem pelo inferno, fará amigos que lhe ofertarão uma nova perspectiva de vida, aquela que você não imaginava que existia e que também o desafiará, só que de forma mais passiva.
Você não tinha certeza se queria filhos, mas todos em volta perguntavam: se não tiver, quem vai cuidar de você na velhice? Caiu nessa esparrela e hoje tem dois filhos amados – um é pesquisador na Antártica e a outra é dançarina em Moscou, ambos muito presentes pelo Skype, sem intenção de voltar.
Você sai toda bonita e cheirosa para encontrar seu namorado na casa dele, acreditando que será mais um encontro como os outros, mas no meio do caminho, num sinal fechado, é assaltada por um brucutu armado que lhe leva o carro e a confiança em noites que eram para ser apenas românticas.
Você sai toda bonita e cheirosa para encontrar seu namorado na casa dele, acreditando que será mais um encontro como os outros, e, ao chegar, se depara com um homem inspirado: ele sugere que você não saia mais de lá, que fique morando com ele.
O universo nunca entrega o que promete. Aliás, ele nunca prometeu nada, você é que escuta vozes. No dia em que você pensa que não tem nada a dizer para o analista, faz a revelação mais bombástica dos seus dois anos de terapia. O resultado de um exame de rotina coloca sua rotina de cabeça para baixo. Você não imaginava que iriam tantos amigos na sua festa, mas tampouco imaginou que justo seu grande amor não iria. Quando achou que estava bela demais, não arrasou corações.
Quando saiu sem maquiagem e com uma camiseta puída, chamou a atenção. E assim seguem os dias à prova de planejamento e contrariando nossas vontades, pois, por mais que tenhamos ensaiado nossa fala e estejamos preparados para a melhor cena, nos bastidores do universo alguém troca nosso papel de última hora e não nos comunica, tornando surpreendente a nossa vida.
MARTHA MEDEIROS

13 setembro 2018

O Menestrel

Depois de um tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se, que companhia nem sempre significa segurança, e começa a aprender que beijos não são contratos, e que presentes não são promessas.
Começa aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança; aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo, e aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam.... Aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que as pessoas que mais te amam, são justamente aquelas pessoas que recebem o seu desprezo.
E descobre que existem pessoas tão fúteis, que são capazes de trocar uma vida inteira de amor e carinho, por um curto período de prazeres e farras.
Aprende como a vida é engraçada e como sonhos são tão facilmente destruídos.
E, em algum momento pensamos no amor.....e isso se torna engraçado.....é engraçado... as vezes a gente sente, fica pensando que está sendo amada, e está amando, e pensa que encontrou tudo aquilo que a vida podia oferecer, e em cima disso a gente constrói nossos sonhos, nossos castelos, e cria um mundo de ilusão onde tudo é belo.....até que a pessoa que a gente ama vacila, e põe tudo a perder, e põe tudo a perder........
Aprendemos que falar pode aliviar dores emocionais, e descobre que se leva anos para construir confiança, e apenas segundos para destruí-la, e que você poderá fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias, e o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida, e que bons amigos são a família que Deus nos permitiu escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendermos que eles mudam, percebe que você e seus amigos podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que a vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve comparar-se com os outros, mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que ou você controla seus atos ou eles te controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoa que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.
Aprende que a paciência requer muita pratica.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiências que se teve e o que você aprendeu com elas, do que com quantos aniversários você celebrou.
Aprende que há mais de seus pais em você do que você suponha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes.... e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando se esta com raiva, se tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não te ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não te ame com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que perdoar a você mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que você julga, você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não volta para trás, portanto plante seu jardim e decore sua alma ao invés de esperar que alguém lhe traga flores, e você aprende que realmente pode suportar; que a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!

Veronica A. Shoffstall

08 junho 2018

Viagem para Nordeste: Tamandaré-PE e Maragogi-AL

Quero compartilhar uma experiência de viagem incrível que tive a felicidade de viver!
No último feriado, fui com a família para o estado de Pernambuco. A viagem começou de um jeito muito louco, quase perdemos o voo, teve muita correria e gritaria pelo aeroporto de Congonhas, mas deu tudo certo. Voamos pela Gol de Congonhas a Recife, voo tranquilo de mais ou menos 3 horas.

Chegando em Recife, nos deparamos com o super calor do nordeste. Nós estávamos vivendo uma experiência de menos de 20 graus todos os dias e, de repente, estávamos no paraíso do calor, eu adorei.

Tirei essa foto da janela do avião, o amanhecer e começo de tudo.
Decolamos às 6h em Congonhas, ainda era noite!

Com a crise do combustível que assolava o país naqueles dias, tínhamos uma locação reservada com uma empresa grande (e estava paga, inclusive), mas ela não tinha carros com tanque cheio. Nosso primeiro destino era distante de Recife, então cancelamos o contrato, pedimos estorno, e alugamos de um rapaz que estava no corredor. A empresa, chamada Comfort, nos forneceu um carro bacana e econômico, limpinho, tanque cheio, tudo tranquilo.

Rodamos de carro até Tamandaré-PE. Chegando lá, ficamos hospedados no hotel Baia Branca, que fica na praia da perua preta, parte da praia dos carneiros segundo o staff do hotel. O hotel é bem bacana, tem uma piscina convidativa, pé na areia. Sentamos de frente pro mar e passamos a tarde comendo coisas deliciosas (especial atenção pro camarão grelhado que estava sensacional), tomando uma cerveja pra lá de gelada, curtindo a brisa da praia. Não cheguei a entrar no mar pois confesso que fiquei retraída pois não tinha ninguém na praia, muito menos no mar. Minto, tinha um pescador, o que aumenta meu medo.
Foto do Hotel Baia Branca e das comidas de lá:

 Vista do nosso quarto

 Camarões grelhados deliciosos ♥

 Moqueca caprichada ♥

 Steak au poivre para quem não curte peixe (mas ama pimenta!!)

 Essa sou eu na rede do hotel

Praia do hotel (praia da perua preta - praia dos carneiros) 

Como chegamos no hotel era umas 14h, almoçamos e descansamos por lá. No dia seguinte, acordamos cedo, "levantamos acampamento" e partimos para Porto de Galinhas, que era nosso destino principal (na verdade é a cidade de Ipojuca!), mas antes, resolvemos desviar 30km da rota e dar uma passadinha ali, em Maragogi.

Maragogi, que fica no Alagoas, é conhecida como Caribe brasileiro. Todas as praias dessa rota PE-AL são da chamada "Costa dos Corais", pois a grande maioria é "fechada" por corais que protegem o litoral e guardam muita vida marinha. Tem ouriço, tem peixinho, estrela do mar (e em alguns pontos, claro, tubarões).

Em Maragogi, visitamos a praia do Antunes, que é uma das primeiras, e tem um pedação de mar até chegar no coral. Fui andando até lá perto, mas é muito longe mesmo, e eu estava morrendo de medo de pisar em alguma coisa, muito embora a água seja transparente.

 Placa divisória dos estados!

 A felicidade mora aqui: Maragogi!

Na praia pudemos perceber que o pessoal de lá tem maneiras criativas de gerar renda pelo turismo. Não tem muita estrutura, com grandes quiosques, por exemplo. Mas tem um pessoal em uma van que vende comida (macarrão, arroz, feijão), tem o pessoal que faz porções e serve bebidas estilo "food truck", e tem o que mais me chamou atenção: um cara que vende bebidas na praia montou um "cenário" onde você encaixa o celular para tirar fotos inusitadas. Eu tirei em todos, mas vou postar apenas o cenário do "túnel com tubarão", porque foi meu preferido. Para tirar foto, basta comprar alguma bebida dele, mesmo que seja uma água.

 Foto no túnel do tubarão

 Eu e minha irmã na praia do Antunes!

Foto no meio do mar enquanto caminhava até os corais

Passamos algumas horas curtindo o mar da praia de Antunes, meus pais tomaram uns drinks, então eu assumi a direção do nosso carro e fomos, enfim, para Ipojuca, que é a cidade de Pernambuco onde fica a famosa praia de Porto de Galinhas. Mas essa parte eu deixo para contar depois com carinho, afinal, esse post já está bem extenso.

Mas uma coisa que não pode ser deixada de lado é o carinho e a atenção com que fomos recebidos no hotel Baia Branca, em Tamandaré-PE, e a delícia e paz que a praia do Antunes nos trouxe. Além de ser um lugar exuberante, é bem gostoso e relaxante. Definitivamente preciso voltar para ver Maragogi com calma. Amei!

Abraço e eu volto em breve, para contar de Porto de Galinhas!

01 março 2016

5 lugares que quero visitar antes de morrer

Eu adoro fazer listas, mas esta é a que mais me dá prazer e trabalho. Prazer porque sou fascinada por viajar, conhecer coisas e pessoas novas, me sentir parte de um mundo que é incrível. Trabalho porque limitar os destinos é uma coisa dolorosa. Sou tão empolgada que qualquer viagem de 20 Km já me faz feliz, toda e qualquer oportunidade de entrar em um meio de transporte para atravessar alguma rodovia me enche de alegria.
Então hoje vou fazer a lista com 5 roteiros que eu sonho em conhecer e quem sabe você não se empolga em traçar seus roteiros também? 

1) Amsterdã, Holanda.


Esse é o primeiro roteiro da lista. Amsterdã para mim é a capital da liberdade. E liberdade para mim é um objetivo e meio de viver. Ser sempre livre. Tenho vontade de ouvir holandeses conversando com naturalidade (e acho o jeito que eles falam lindo), vontade de pedalar pela cidade, ao longo do canal, conhecer os pontos turísticos, visitar os campos de tulipas. Amsterdã deve ser demais. 

2) Buenos Aires, Argentina. 


Buenos Aires está pertinho, mas nunca fui e também tenho essa curiosidade. Gostaria de ir no inverno, a cidade parece ser aconchegante. Vou tirar umas fotos com a Mafalda, que eu amo, e trazer para o Brasil. Andar pelas livrarias e cafeterias de Buenos Aires, tentar conversar em espanhol, comer as comidas típicas, mas principalmente muito alfajor. Caminhar pela cidade, respirar a "vibe" argentina.

3) Norte da Noruega.

Provavelmente quem comia chocolate Surpresa da Nestlé e colecionava os cartões com fenômenos da natureza sabe do que eu estou falando. Desde criança sempre quis ver de perto a tal da Aurora Boreal. É um fenômeno natural, que pode ser visto de alguns lugares (restritos), mas especialmente no norte da Noruega. Algumas luzes ficam "dançando" pelo céu, e as pessoas param para apreciar o fenômeno e, claro, o quanto a natureza é bela. Eu já começo a refletir sobre a pequenez da vida em relação à grandiosidade do Universo e muitas coisas me ocorrem. Quem quiser saber mais sobre a Aurora Boreal pode clicar aqui

4) Suíça.

Chocolate, chocolate, frio, montanhas. Tem alguns passeios de trem (que é minha outra paixão) com vista panorâmica para os alpes suíços. É uma viagem bem cara (assim como a Noruega) que tem que ser planejada com antecedência e bastante atenção, mas desconfio que seja inesquecível, tem cada foto tão maravilhosa na Internet que é impossível não ver e ficar desejando.

5) Bali, Indonésia.

A Indonésia parece ser super exótica, e eu gosto bastante da ideia e das fotos de Bali. Adoraria conhecer, não só Bali, mas talvez mais lugares por lá, um pouco da cultura tão diferente da nossa, curtir a natureza e comer comidas diferentes, com certeza. Tudo parece quente e divertido nas fotos da Indonésia, muitos brasileiros vão e voltam apaixonados.


Só esqueci de elencar, mas vou fazer aqui a tempo, que morro de vontade de ir ao Holi na Índia (foto acima), mas esse festival merece um post todo dele depois, muita expectativa envolvida.
E aí, bora viajar?

29 fevereiro 2016

Tenha um bom dia

Bom dia! Mas calma, um bom dia não depende só da gente. Depende do sol, depende dos planos e depende das companhias, correto? Errado! Um bom dia depende só de você, vou te provar.
Um dia frio e nublado é um ótimo dia para assistir um filme, comer uma pipoca, brigadeiro, engordar sem culpa, curtir o "dolce far niente". Mas se você tem que trabalhar, também não há problema para os dias nublados, afinal, com o frio a gente fica mais acordado e mais concentrado, uma boa xícara de café e tudo se resolve.
Mas se o dia estiver calor, então você pode arrumar um suco bem gelado e aproveitar a luz excessiva para ser mais produtivo. Se você não tem que trabalhar e o calor está demais, ótimo também, nada como uma piscina, ou um banho de mangueira se você não tem piscina (quem nunca?), ou um sorvete sentado na praça vendo a vida passar.
Acho incrível analisar como nós temos a séria tendência de achar que outras coisas precisam acontecer, que outras pessoas precisam aparecer, que algo precisa surgir para que sejamos felizes. Calma, não é bem assim. Claro que eu não sou a dona da razão e se você quer acreditar o resto da vida que sua felicidade depende de outro fator ou outra pessoa, é uma escolha toda sua.
Eu acho, só acho, que colocar a culpa nos outros é sempre o caminho mais fácil para aceitar, mas o caminho mais difícil para ser independente e feliz. Um dia, depois de querer muito sair e não ter companhia de nenhuma amiga, eu decidi que não dependeria mais disso. E então, se eu quero eu vou - e é incrível como eu NUNCA fico sozinha mesmo - e ser "solto" assim é a melhor forma de fazer amigos.
É difícil sair da zona de conforto, é muito mais tranquilo estar nas condições favoráveis (o clima ameno de que você gosta, os velhos amigos que te conhecem há anos). A sensação de liberdade, conhecer pessoas diferentes, viver experiências diferentes, todavia, compensam cada segundo de frio na barriga por incerteza.
Então, se você quer mesmo ter um bom dia, tenha a consciência de que ele depende apenas de você e de como você encara a vida. Todos os dias podem e serão bons dias se você deixar que eles sejam. As 24 horas lhe são dadas para serem vividas, se você vai aproveitá-las ou não é uma escolha sua. E aproveitar pode ser estudando, trabalhando, deitado com o Netflix, exercitando-se, dormindo e descansando, viajando, enfim, como você quiser.
Apenas lhe desejo, do fundo do coração, que não deixe de fazer o que quer ou que faça o que não quer porque algum fator externo ou alguma pessoa lhe convenceu. Você merece ser feliz e aproveitar sua vida. A gente só vive uma vez, mas se aproveitarmos, uma vez é mais do que suficiente.
Segundo Paulo Leminski: Não discuto com o destino o que pintar eu assino. Então assine, vá em frente, assuma os riscos e as consequências, mas mais do que tudo: faça valer a pena.
E tenha um bom dia, bons sorrisos, uma boa vida, são os meus votos.

24 fevereiro 2016

5 músicas para embalar sua quarta-feira

O carnaval passou, acabou o Tratratrá, superamos o Wesley Safadão e todo o tipo de música que fez sucesso nessa época nesse ano. Então vou humildemente sugerir 5 músicas que eu realmente adoro para embalar sua quarta-feira, seja no trabalho, em casa, na corrida do fim da tarde, na academia. Faça bom proveito das dicas!
1) Fluorescent Adolescent - Arctic Monkeys
Ontem encontrei um amigo que fiz há 10 anos pelo falecido Orkut. E conversamos super, pedi uma música e ele me mandou essa. Engraçado que já tinha ouvido mil vezes e não sabia o nome. Super chiclete, adoro! (Obrigada, Pedro!)


2) Naïve - The Kooks
Eu adoro essa música e o inglês deles.



3) Habits - Tove Lo
Essa menina é uma fofa, a música gruda no cérebro e eu ouço em looping eterno. Meio junkie também, não sei explicar direito.



4) In My Place - Coldplay
Muito amor verdadeiro por Coldplay! As músicas são sempre gostosas de ouvir, o CD novo deles está demais, em abril eles vêm ao Brasil e eu deixo aqui minha demonstração explícita de afeição!



5) Supersonic - Oasis
Queria muito uma música do Oasis para essa listinha, porque é outra banda que eu adoro. Eu poderia colocar diversas aqui, mas Supersonic vai te dar uma animada para aguentar o resto da semana!



É isso aí: não desanima! Amanhã já começa a ser quase fim de semana!

23 fevereiro 2016

Sentido da vida

Acordo todos os dias no mesmo horário. Luto comigo mesma para arrastar meu corpo para fora da cama. Uma vez de pé, só consigo pensar em pontos negativos. O café sempre está muito doce. Não vejo graça. As opções para comer, sempre muito iguais às de sempre.
A roupa que eu escolhi sempre parece mais feia no espelho do elevador do que no espelho do meu quarto. A maquiagem que eu fiz sempre aparece borrada no retrovisor do carro. Os meus poros então, gritam por socorro.
Quando os poros gritam me lembro que lá se foi mais uma semana e eu não marquei novamente com a esteticista. Mas também, a sessão dela é tão cara e eu estou sempre tão sem dinheiro.
Chego em um ambiente que também não tem muito ânimo. Ouço pessoas transmitirem conhecimentos nos quais, às vezes, elas próprias não acreditam. Ao meu redor, alguns estão apenas tendo um pouco de diversão (diversão ao custo de mil reais por mês e de acordar cedo todo santo dia), alguns estão tentando melhorar na vida, alguns ainda não sabem porque estão ali.
Quando vejo os que querem melhorar na vida me pergunto: pra quê? No fim das contas, vamos todos morrer: atropelados, em um acidente triste de carro, dormindo tranquilamente, infartando em nossos escritórios, assassinados, cada um ao seu modo.
É tanto esforço, tanta energia, para nada. No fim das contas, estamos todos apenas poluindo ar, água e terra. As três coisas mais puras deste mundo.
Depois de quatro longas sessões de 50 minutos, lá estou novamente me encarando no espelhinho que o carro me proporciona. Um caminho que dura 10, às vezes 15, e em algumas vezes até mesmo 20 minutos, regado a alguma música cantável. Pois a música é uma das poucas coisas que ainda embalam a minha alma.
Chegando, cumprimento as pessoas simples que sempre são as primeiras a encontrar, mas as mais verdadeiras do dia. Deve ser uma forma de ser compensada pela vida por ter que, em seguida, encarar algumas pessoas incansavelmente intragáveis. Sei que a maioria das pessoas não é assim, mas determinadas pessoas dão ânsia de vômito com um simples olhar.
As outras pessoas, em geral boas ou neutras, estão ocupadas demais em viver um sentido que é só delas. Então, me sinto excluída. De repente, todos têm um sentido, menos eu.

22 fevereiro 2016

Feminismo para todos

Imagem do Uol.
Meu primeiro contato com feminismo na vida foi quando vi o "Marcha das Vadias" na internet (internacionalmente Slut Walk) e, bom, primeiro fiquei chocada, confesso, depois eu achei a causa bem bacana e acompanhei algumas coisas.
O andamento disso tudo confesso que me assusta. O movimento tem espaço para todo mundo: as extremistas, as feministas com moderação, as feministas enrustidas, cabemos todas lá. Opinião minha: não curto extremismo, mas sempre que vejo uma mulher criticando o feminismo daí eu fico triste.
Vamos lá para as mulheres que leem, e os homens finjam que são mulheres:
Você trabalha? Você vota? Você usa calças? Você usa decote? Você dirige? Você anda desacompanhada de um homem? Você estuda ou estudou? Você é dona da sua vida e das suas vontades? Bom, se sua resposta foi sim para qualquer um destes itens, então você deve muito ao feminismo.
Sem me envolver com discursos políticos esquerda-mimimi-direita ou religião-mimimi-aborto, porque essas são causas ISOLADAS dentro do feminismo, o movimento foi sim muito benéfico para todas as mulheres e nós precisamos mesmo reconhecer isso. 
Você não precisa arrancar a roupa em público, apoiar o aborto ou ser de esquerda para ser feminista - e muita gente não entende isso.
Conversando com um colega de trabalho hoje, ele me contou sobre um trabalho que tem feito aqui no sul de MG com mulheres católicas, de interior, casadas, que cultivam café. Aos poucos elas foram se indignando com o fato de que recebiam menos do que os homens, com o fato de que elas e os maridos trabalhavam o dia todo nas fazendas e, em casa, à noite, elas tinham que cuidar das tarefas domésticas sozinhas porque os maridos estavam cansados. Essa indignação as deixou totalmente empoderadas.
- Pausa para o empoderamento: este é um termo usado para definir o momento em que as pessoas tomam consciência de seus direitos sociais, neste caso, as mulheres. É uma forma de "dar poder". 
Se você quiser ler mais sobre empoderamento, clique aqui.
Bom, daí que elas mudaram seus conceitos e, mesmo sendo católicas, casadas, felizes, amando seus maridos, elas começaram a cobrar igualdade dentro de casa: todo mundo cuidando das tarefas domésticas, todo mundo cansa e descansa. Muito legal. Viu? Não precisamos queimar sutiã para querer igualdade.
Eu tenho uma tia que tem dois filhos, homens, crianças, e eles pediram para ela uma geladeira de presente. Ela foi lá e comprou a geladeira do Frozen e eles simplesmente amam o brinquedo. Tá vendo como não é coisa de menina brincar com coisas de cozinha? Enfim, somos todos iguais e queremos tratamento igual.
E é por isso que eu apoio a causa: somos todos feminismo. Ninguém aqui quer que a mulher seja mais do que o homem. Mas o homem sempre foi mais do que a mulher (mais remunerado, mais paparicado em casa, mais reconhecido no mercado de trabalho, mais detentor de poderes) e nós queremos que a situação seja igual daqui em diante.
Igualdade: de oportunidades, direitos, reconhecimentos, é só isso que queremos!

OBS: o Café Feminino é um produto do grupo MOBI (Mulheres Organizadas Buscando Independência), promovido pelo IFSULDEMINAS e pela COOPFAM, e você pode ver mais do grupo clicando aqui

15 abril 2015

Comemorações devidamente justificadas

Estamos em abril de 2015 e outro dia me peguei lendo textos meus de 2007 e me surpreendi como as coisas mudam.

Usando Heráclito, "ninguém entra no mesmo rio uma segunda vez, pois quando isto acontece já não se é mais o mesmo. Assim como as águas que já serão outras".

Maturidade, o trabalho (que edifica o caráter), idade, e também terapia, me fizeram diferente no decorrer dos oito anos que se passaram, e bom, como isto mexe comigo. Especialmente nestes dias de Abril, em que eu me pego pensando que meu aniversário está para chegar e reflito sobre o que fiz para merecer uma comemoração quando este dia amanhecer.

Bom, para começar eu nasci. Fui um espermatozóide vencedor. Depois eu sobrevivi aos perigos da infância, sobrevivi às desilusões adolescentes, sobrevivi ao ódio e à revolta que se instalaram em mim por um tempo. Sobrevivi aos governos que passaram. Sobrevivi ao período pré-vestibular. Sobrevivi a todas as noitadas de começo de faculdade, às do meio de faculdade e, agora às do fim da faculdade. Sobrevivi a diversos relacionamentos, sobrevivi a amizades que não vingaram, sobrevivi a problemas familiares que muito me machucaram. O efeito destas sobrevivências com certeza marcam nosso caráter e quem somos. Mas bem, quem está realmente interessado naquilo que somos e ao que sobrevivemos quando diante de nós?

É o mal do século, talvez deste e do último, ou talvez de todos. Todos estamos seriamente interessados em mostrar quem somos, pra onde vamos, o que defendemos. Mas quantos de nós estão interessados em saber disso?

A superfície - eis o lugar onde se instalam talvez 90% das nossas relações. Me pego pensando se tenho sido justa com as pessoas ao meu redor, se levo em consideração tudo aquilo que elas passaram e que formaram quem elas são. Olho para aquela amiga e tento enxergar não o rostinho bonito, o cabelo impecavelmente liso todo dia, a voz simpática, os acessórios delicados e as roupas muito bem escolhidas. Tento enxergar não o ar de insegurança e o jeito um pouco egoísta, mas as coisas que a levam a ser quem é.

As pessoas são um conjunto daquilo que as formou. Somos também inspirações. Tenho sido justa com minhas inspirações? O que a gente almeja faz com que a gente mude no sentido daquele desejo. Talvez minha resposta para este quesito me decepcione. Eu almejo tantas coisas e às vezes me sinto impotente por não correr em sentido ao que desejo.

Apesar de não ser tão disciplinada e determinada, eu tive as minhas pequenas conquistas. Conquistar pequenas coisas faz uma massagem no sentido das coisas. Lembro-me como se fosse hoje as notícias que me tiraram o sono - de felicidade - e meu coração usa minha boca para dar um suspiro. Este gostinho jamais sairá da minha boca. Mas esta felicidade é um perigo, não podemos nos acomodar.
As coisas e as pessoas nos marcam significativamente.

Sobreviver, fugir da superfície, ser fiel às minhas inspirações, valorizar minhas conquistas sem deixar que elas me façam alguém acomodada. Este é o conjunto pelo qual vou comemorar este ano. A vida é curta, estou aqui, envelhecendo, à prova disso. Mas farei jus a cada dia, quero ser digna de cada suspiro.

E que venham mais uns mil anos, pois acho que eu tenho energia para cada um dos 365.000 dias, 8.760.000 horas, 525.600.000 minutos e 31.536.000.000 segundos que eu ainda desejo viver. Alguém abre uma cerveja bem gelada, por favor!

25 fevereiro 2015

Filme: Cinquenta Tons de Cinza

O mês de fevereiro começou e muito se falou sobre esse filme. Confesso que não me apetece, eu sequer tinha lido o livro, mas fui passar a noite com meu irmão e cunhada e eles tinham se programado para ver o filme, então eu fui também. Foi difícil comprar o ingresso, todos queriam assistir.
Tinha lido algumas notas pela internet, que no filme as cenas "quentes" seriam "esfriadas", então eu me surpreendi pois não achei tão inocente assim. Afinal, o casal mantém relações sob o olhar da câmera sem o mínimo constrangimento. Um pouco de bom senso e você se constrange.
Trata-se de um envolvimento amoroso entre Anastasia e Christian. Os dois são extremos, ela uma estudante recatada e inexperiente, ele um businessman bem sucedido, rico, um magnata. Como todo filme americano que quer envolver o telespectador, a ora "mocinha" é um pouco desastrada, sonhadora, romântica e passa por alguns constrangimentos na presença do rapaz altivo, independente e que sabe o que quer.
O Sr. Grey, como é denominado ao longo da trama, submete a protagonista a um relacionamento que envolve sadomasoquismo, submissão, uma pitada de humilhação e agressividade. Aos poucos a moça, que não decide o que quer ao longo dos mais de 120 minutos de filme, envolve-se de tal maneira que não vê mais uma saída que não lhe cause prejuízos.
Experimentando um pouco da riqueza (afinal, Christian a leva para viajar em um helicóptero, hospeda-a em uma mansão enorme e luxuosa, compra-lhe diversos presentes) e dos hábitos impostos por Grey, Anastasia demonstra sentir uma certa forma de liberdade, embora se sinta acorrentada ao sadomasoquismo, do qual ela não demonstra com clareza se gosta ou não.
A história não se desenvolve muito bem, eu busquei meu celular durante o filme umas quatro ou cinco vezes. Fica sempre neste impasse da menina pudica, indecisa sobre ser uma eterna garota inocente de 21 anos ou se quer ser uma mulher que assume as consequências de seus atos, aos 21 anos. E, de fato, para todos que passaram ou passam por esta idade, não é fácil decidir se seu lugar é antes ou após a tênue linha do amadurecimento.
Conhecidos meus que leram o livro e assistiram ao filme dividiram opinião: para alguns o filme cortou partes essenciais, para outros o filme "enxugou a gordura do livro", e para minha cunhada, o filme foi exatamente o livro. Acredito que não perdi nada por não ter lido o livro, mas isso é apenas minha opinião, humilde opinião.